sexta-feira, 17 de abril de 2026
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Justiça autoriza entrada forçada em imóveis em Sete Quedas após alta de chikungunya e risco de saúde pública

A Justiça autorizou a entrada forçada em imóveis fechados, abandonados ou com acesso negado por moradores no município de Sete Quedas, na região sul de Mato Grosso do Sul. A medida foi concedida após a prefeitura apontar um cenário crítico no combate à chikungunya e à dengue, com aumento de casos e dificuldade para eliminar focos do Aedes aegypti.

Segundo a ação civil pública movida pelo município, Sete Quedas registrou 117 casos prováveis de chikungunya em 2026, com incidência estimada em 1.064,2 casos por 100 mil habitantes — índice considerado alto. Somente nos últimos 14 dias analisados, foram 47 novos casos, o que indica transmissão ativa.

No mesmo levantamento, a prefeitura também reportou 29 casos prováveis de dengue, com incidência de 263,8 por 100 mil habitantes, apontando circulação do vírus na cidade.

Imóveis fechados e abandonados viraram foco do mosquito, diz prefeitura

De acordo com o município, mesmo com campanhas educativas, visitas domiciliares e mutirões, as equipes de saúde enfrentam barreiras para acessar imóveis sem moradores, trancados ou com entrada recusada. A prefeitura afirma que esses locais acumulam água parada, entulho, recipientes expostos e reservatórios improvisados, o que favorece a proliferação do mosquito.

No pedido judicial, a administração anexou fotos e vídeos que mostram situações de abandono e infestação de larvas em diferentes pontos da cidade. Para a prefeitura, a falta de acesso a esses imóveis compromete diretamente o controle do vetor e eleva o risco coletivo.

O que a decisão permite na prática

Com a autorização, agentes de combate a endemias e servidores da saúde podem entrar em imóveis nas seguintes condições:

  • fechados ou desabitados;
  • abandonados;
  • com acesso negado por moradores/proprietários.

A medida prevê a possibilidade de romper obstáculos para entrada quando necessário e solicitar apoio da Polícia Militar durante a ação. Também há previsão de notificação aos proprietários para retirada de materiais que acumulam água. Caso não haja cumprimento, o poder público poderá remover os itens.

A prefeitura fundamentou o pedido em legislação federal de 2016 que admite o ingresso forçado em imóveis em situações de risco à saúde pública, argumentando que o direito à inviolabilidade do domicílio não é absoluto diante de ameaça à saúde coletiva.

Regras de controle e transparência

Para reduzir riscos de abuso e garantir rastreabilidade, o município propôs que as ações sejam registradas em vídeo. Além disso, o secretário municipal de Saúde deverá encaminhar relatórios semanais ao Judiciário, com a lista de imóveis visitados e a justificativa das entradas realizadas.

A decisão reforça uma tendência adotada por municípios em situação de surto: ampliar instrumentos legais para garantir acesso a focos do mosquito, especialmente quando imóveis fechados se tornam pontos persistentes de proliferação.

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