O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) deflagrou nesta terça-feira (31/03/2026) a operação “Mão Dupla”, que investiga um suposto esquema de fraude em licitações e contratos públicos em Coronel Sapucaia, município a 396 quilômetros de Campo Grande. Entre os alvos estão o ex-prefeito Rudi Paetzold (MDB), a filha dele, Adriane Paetzold, e outros 11 investigados.
A ação é apontada como segunda fase da Operação Pretense, conduzida pelo MPMS, com autorização do Tribunal de Justiça. Ao todo, foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou 13 medidas cautelares, incluindo proibição de acesso à administração municipal, impedimento de contato entre investigados e uso de tornozeleira eletrônica.
Além disso, foram autorizadas buscas pessoais em dois endereços e determinada a suspensão do exercício de função pública de dois envolvidos, conforme informações divulgadas no âmbito da investigação.
Quem são os investigados citados
Além do ex-prefeito e da filha, a operação menciona como alvos das medidas:
- Adriel Celant Espíndola
- José Rosan Espíndola de Espíndola
- Alan Douglas Maciel
- Kariony Celant Espíndola
- André de Assis Voginski (pregoeiro oficial)
- Aparecida Janaina Lima Cavalcante (fiscal de contratos da gestão anterior)
- Celso Ricardo Maciel Ferreira (ex-secretário de Infraestrutura)
- Gislene Aparecida Micuinha Farias (servidora)
- Jonathan Cavalheri (assessor especial)
- Karin Zarate Araújo (comissão permanente de licitação)
- Willian dos Santos Barbosa (engenheiro concursado)
Ação em quatro cidades e apoio do Bope
As diligências ocorreram em Coronel Sapucaia, Amambai, Ponta Porã e Caarapó. Em Ponta Porã, equipes do Gaeco atuaram com apoio do Bope, conforme relato da operação. Fotos divulgadas pela investigação mostram dinheiro em espécie apreendido durante o cumprimento dos mandados.
De acordo com o MPMS, a apuração reúne suspeitas de crimes como fraude em licitações, peculato, corrupção passiva e pagamentos irregulares em contratos públicos, envolvendo agentes políticos, secretários e servidores. O nome “Mão Dupla” faz referência a um suposto bordão atribuído às tratativas investigadas: “você me ajuda, que eu te ajudo”.
O que diz a prefeitura
A prefeita Niágara Kraievski afirmou que a investigação não envolve a gestão atual e que os fatos apurados estariam relacionados a irregularidades de 2024, período anterior à atual administração.
Origem: Operação Pretense
A primeira fase da Operação Pretense ocorreu em dezembro de 2024, com mandados na prefeitura e em empresas ligadas a um grupo familiar do município. Na ocasião, a investigação apontou contratos que somariam R$ 27,6 milhões firmados entre 2020 e 2024, com destaque para valores concentrados em uma construtora citada como responsável por obra hospitalar, além de outros contratos atribuídos a empresas do mesmo núcleo familiar.












