A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decide nesta terça-feira se o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro será condenado pelo crime de coação no curso do processo. O julgamento, marcado para começar às 14h, analisa a suposta articulação do ex-parlamentar para pressionar a Corte utilizando sanções econômicas estrangeiras.
O processo apura as ações de Eduardo junto ao governo dos Estados Unidos para incentivar a aplicação de sobretaxas contra produtos brasileiros — episódio que ficou conhecido como “tarifaço” —, além do cancelamento de vistos de autoridades e sanções financeiras. Segundo as investigações, o objetivo das medidas era emparedar o STF e tentar barrar a condenação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no processo da trama golpista.
Os Argumentos da Acusação e os Prejuízos Econômicos
A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta que Eduardo Bolsonaro utilizou entrevistas e postagens em redes sociais como ferramentas de pressão. Para os procuradores, as ameaças saíram do papel e geraram consequências reais para o país.
A acusação destaca os seguintes pontos:
- Prejuízo ao setor produtivo: A estratégia resultou em tarifas alfandegárias pesadas aplicadas pelos EUA sobre as exportações do Brasil.
- Impacto aos trabalhadores: Setores da economia nacional foram onerados, atingindo diretamente trabalhadores alheios aos tribunais.
- Pena prevista: O crime de coação no curso do processo tem pena de um a quatro anos de reclusão, que pode aumentar devido a agravantes. A PGR também exige o pagamento de uma indenização por danos econômicos.
Atualmente morando nos Estados Unidos, Eduardo perdeu o mandato de deputado federal por faltas consecutivas nas sessões da Câmara. Como não constituiu um advogado particular após as notificações, o ministro relator Alexandre de Moraes designou a Defensoria Pública da União (DPU) para assumir o caso.
A Estratégia da Defesa e o Quórum Reduzido
A DPU apresentou argumentos técnicos com o objetivo de anular o andamento do processo, focando na composição do tribunal e na imparcialidade do julgamento.
A defesa sustenta as seguintes teses:
- Impedimento do relator: A DPU contesta a condução de Alexandre de Moraes, alegando que o ministro foi afetado diretamente pelas medidas de cancelamento de vistos e sanções nos EUA, o que o colocaria na posição de vítima e julgador ao mesmo tempo.
- Cadeira vaga: O julgamento será realizado por quatro ministros (Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino), já que a quinta vaga do colegiado segue aberta desde a aposentadoria de Luís Roberto Barroso e a transferência de Luiz Fux. A defesa alega que um magistrado da Segunda Turma deveria ser convocado para completar o quórum.
Enquanto apoiadores da família Bolsonaro acusam o Judiciário de perseguição política, o STF segue o rito processual para dar a palavra final sobre o caso nesta tarde.
Qual é a sua opinião sobre esse julgamento? Você acha que as ações do ex-deputado nos EUA justificam uma condenação por coação ou concorda com os argumentos da defesa?
Deixe seu comentário abaixo e compartilhe esta notícia agora mesmo no WhatsApp e nas suas redes sociais para girar o debate entre seus amigos!












