O audiovisual brasileiro se despede de um dos seus maiores nomes. Morreu na madrugada desta quarta-feira, aos 98 anos, o lendário produtor, fotógrafo e diretor Luiz Carlos Barreto, carinhosamente conhecido como Barretão. A triste informação foi confirmada por familiares ao jornal O Globo.
Barretão enfrentava sérios problemas de saúde desde março de 2024, quando sofreu uma queda no Ceará — seu estado natal — durante uma viagem para receber uma homenagem. Ele passou por cirurgias e um longo período de recuperação, mas acabou internado no Rio de Janeiro na última terça-feira, vindo a falecer no dia seguinte.
O Início No Jornalismo E A Paixão Pelo Cinema
Nascido em Sobral (CE) em 1928, Luiz Carlos mudou-se para o Rio de Janeiro em 1947. Nos anos 1950, ingressou no jornalismo pelos Diários Associados, destacando-se na revista O Cruzeiro através do fotojornalismo.
Foi durante uma reportagem que conheceu Lucy Barreto, que viria a ser sua companheira de vida e de negócios por mais de 70 anos. O amor o levou a Paris em 1953, onde ingressou no respeitado IDHEC (Instituto de Altos Estudos Cinematográficos) e começou a frequentar sets de filmagem para aprender a arte de produzir.
Ao relatar sobre a viagem para reconquistar a esposa e seu aprendizado na Europa, Barretão recordou em entrevista:
“Descobri que ela estava se interessando por um armênio. Então, me mande para Paris para lutar pelo meu amor. Cheguei e me matriculei no IDHEC. Ao final de três meses, aproveitei minha carteira de repórter para visitar estúdios de filmagem, conversar com diretores e produtores. Foi a minha faculdade de cinema.”
Pilar Do Cinema Novo E Recordes De Bilheteria
De volta ao Brasil, Barretão participou ativamente da fundação do Cinema Novo, movimento que revolucionou o audiovisual brasileiro nos anos 1960. Com um olhar fotográfico marcante, assinou a direção de fotografia de clássicos indiscutíveis:
- Vidas Secas (1963), dirigido por Nelson Pereira dos Santos.
- Terra em Transe (1967), dirigido por Glauber Rocha.
Em maio de 1963, fundou a L.C. Barreto Produções Cinematográficas, que realizou mais de 80 obras de enorme apelo popular e acadêmico, incluindo:
- Garrincha — Alegria do Povo (1963)
- A Hora e Vez de Augusto Matraga (1965)
- O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969)
- Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976) — com quase 11 milhões de espectadores, foi a maior bilheteria do cinema nacional por décadas.
A produtora expandiu fronteiras e levou o Brasil ao palco do Oscar com duas indicações de Melhor Filme Estrangeiro: O Quatrilho (1995), dirigido por seu filho Fábio Barreto, e O Que É Isso, Companheiro? (1997), dirigido por Bruno Barreto.
Legado Familiar E Engajamento Político
Ao longo das décadas, Barretão manteve-se uma voz ativa na defesa das políticas culturais e do cinema nacional, com participação firme em instâncias de debate governamental.
Sua trajetória de vida inspirou produções como o documentário Barretão (2019), dirigido por Marcelo Santiago. Mais do que colecionar premiações, Luiz Carlos construiu um clã totalmente voltado à sétima arte: os filhos Paula e Bruno Barreto, além dos netos, herdaram a paixão pelas telas. Como destacou o próprio produtor em sua última entrevista:
“O vírus do cinema contaminou toda a família.”
E expressando a força e a união do casal ao longo das décadas, Lucy Barreto emocionou ao descrever a luta do marido nos últimos momentos:
“Está muito difícil, mas ele está lutando como um bom sertanejo que é. Tive a felicidade de viajar muito em minha vida. Chegou o momento de ficar quieta e cuidar do meu querido, do meu Barretinho. Todo mundo chama ele de Barretão, mas para mim, ele é Barretinho. São mais de 70 anos de mãos dadas.”
Luiz Carlos Barreto deixa sua esposa Lucy, seus filhos Bruno e Paula, e nove netos.
(Fonte principal: O Globo)
E você, qual filme produzido por Luiz Carlos Barreto mais marcou sua vida?
Deixe seu comentário abaixo rendendo sua homenagem a esse grande ícone da nossa cultura e compartilhe este artigo imediatamente com seus amigos e apaixonados pelo cinema brasileiro!












