Mato Grosso do Sul entrou no centro das ações previstas pelo programa Brasil Contra o Crime Organizado, lançado nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, em Brasília, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A iniciativa mira facções criminosas, lavagem de dinheiro, presídios, tráfico de armas e áreas de fronteira, tema de impacto direto para o Estado, que faz divisa com Paraguai e Bolívia e integra rotas usadas para circulação de drogas e armas.
O lançamento ocorreu no Palácio do Planalto e contou com a presença do secretário de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, Antônio Carlos Videira. Segundo a Sejusp, o Estado responde por cerca de 40% das apreensões nacionais de drogas.
Durante o evento, Lula afirmou que facções criminosas não dominarão territórios no país e disse que pretende criar o Ministério da Segurança Pública após eventual aprovação da PEC da Segurança pelo Senado. A proposta busca ampliar a integração entre União e estados no enfrentamento ao crime organizado.
Plano prevê R$ 11,1 bilhões em recursos
O programa anunciado pelo governo federal prevê R$ 11,1 bilhões em investimentos e financiamentos para estados e municípios. A estratégia está estruturada em quatro eixos principais: asfixia financeira das organizações criminosas, reforço da segurança nos presídios, aumento da taxa de esclarecimento de homicídios e combate ao tráfico de armas.
O pacote também prevê operações integradas em áreas de fronteira, fortalecimento das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado, as Ficcos, ampliação da presença da Polícia Federal e mecanismos para bloquear celulares em unidades prisionais.
Do total anunciado, R$ 10 bilhões serão disponibilizados a estados e municípios por meio de financiamentos do BNDES, via Fundo de Investimentos em Infraestrutura Social, o FIIS.
Fronteira de MS é uma das áreas estratégicas
Embora o detalhamento orçamentário por unidade da federação ainda não tenha sido apresentado, Mato Grosso do Sul poderá acessar recursos ligados ao eixo de combate ao contrabando de armas e controle de fronteiras.
Essa frente deve contar com cerca de R$ 146 milhões no total. Municípios de fronteira também poderão buscar financiamentos previstos no programa.
A posição geográfica de Mato Grosso do Sul torna o Estado estratégico para ações de segurança pública. A fronteira seca com o Paraguai e a proximidade com a Bolívia são fatores apontados por autoridades como relevantes no combate ao tráfico, contrabando, descaminho e atuação de facções.
Governo federal quer atacar lavagem de dinheiro
No discurso de lançamento, Lula afirmou que o crime organizado atua em diferentes níveis da sociedade e defendeu o combate à lavagem de dinheiro como uma das prioridades do programa.
O presidente também disse ter tratado do tema com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em conversa sobre cooperação internacional contra o narcotráfico e extradição de investigados ligados a facções.
O governo brasileiro busca ampliar a cooperação com outros países, mas tenta evitar interferências externas em assuntos de segurança interna. Um dos pontos sensíveis é a pressão de setores norte-americanos para classificar facções brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, como organizações terroristas.
Secretário vê alinhamento com realidade de MS
Para o secretário Antônio Carlos Videira, o foco do programa em fronteiras e sistema penitenciário se conecta diretamente à realidade de Mato Grosso do Sul.
Segundo ele, o Estado possui uma das maiores populações carcerárias proporcionais do país, quadro relacionado a crimes transfronteiriços, tráfico, contrabando e descaminho.
Videira avalia que o plano acerta ao priorizar inteligência, integração entre forças estaduais e federais e cooperação com países vizinhos, especialmente aqueles ligados às rotas de produção e circulação de cocaína e maconha.
Facções são investigadas por atuação em atividades legais
O secretário também afirmou que organizações criminosas buscam ampliar influência política em cidades-gêmeas da fronteira sul-mato-grossense, por meio de apoio financeiro a candidaturas e tentativa de controle de áreas estratégicas.
Segundo Videira, facções como PCC e Comando Vermelho não atuam apenas no tráfico de drogas e armas. Ele citou a presença de grupos criminosos em atividades econômicas legais, como distribuição de combustíveis, transporte clandestino, internet, contratos públicos e lavagem de dinheiro.
A avaliação do secretário é que o enfrentamento ao crime organizado precisa atingir também estruturas financeiras, logísticas e políticas usadas para dar sustentação às facções.
Presídios são apontados como eixo central
Videira defende que os investimentos no sistema penitenciário são fundamentais para reduzir a atuação das facções. Segundo ele, o problema não se limita à entrada de drogas pelas fronteiras, mas inclui a capacidade de grupos criminosos operarem de dentro dos presídios, especialmente por meio de celulares.
O governo federal pretende estender a 138 presídios estaduais o regime de segurança máxima adotado nas penitenciárias federais. Entre as unidades contempladas, estão presídios de Mato Grosso do Sul.
Na avaliação do secretário, o controle das unidades prisionais pode impactar diretamente a realidade carcerária do Estado, historicamente ligada à expansão do PCC em rotas entre Paraguai e Brasil.
Estado deve receber recursos imediatos
Antônio Carlos Videira afirmou que Mato Grosso do Sul receberia ainda nesta terça-feira recursos federais imediatos dentro do programa Brasil Contra o Crime Organizado.
Segundo ele, serão mais de R$ 10 milhões para custeio de diárias operacionais em ações nas fronteiras, divisas, combate a crimes ambientais e enfrentamento à violência contra a mulher.
Além disso, o Estado deve receber cerca de R$ 25 milhões em equipamentos, principalmente para o Corpo de Bombeiros, com foco no combate a incêndios no Pantanal e em outros biomas. O secretário também afirmou que os financiamentos federais poderão ampliar investimentos em viaturas, inteligência, sistema penitenciário e operações integradas de fronteira.












