A saúde pública na segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul acendeu um sinal de alerta preocupante. Durante pronunciamento na Assembleia Legislativa (Alems), o deputado estadual Zé Teixeira (PL) revelou dados alarmantes que comprovam a sobrecarga no sistema de saúde de Dourados e cobrou uma revisão urgente na gestão da macrorregião.
O grande gargalo apontado pelo parlamentar está na área de cardiologia. Zé Teixeira denunciou que a falta de cirurgias cardíacas, cateterismos e trocas de marcapasso na rede local tem obrigado pacientes a esperar por meses ou até mesmo a buscar tratamentos de emergência fora do Estado para não morrerem na fila.
Zé Teixeira Apresenta Censo Hospitalar que Explica a Sobrecarga
Para embasar suas cobranças e alertar as autoridades, o deputado Zé Teixeira apresentou o censo de origem dos pacientes do Hospital Regional de Dourados (HRD). O relatório registrou um total de 6.467 atendimentos.
A grande surpresa está na divisão geográfica desses pacientes trazida pelo parlamentar, evidenciando que Dourados carrega o atendimento de mais de 30 cidades vizinhas nas costas:
- Dourados: 1.320 atendimentos (apenas 20,41% do total)
- Ponta Porã: 491 atendimentos
- Naviraí: 340 atendimentos
- Itaporã: 313 atendimentos
- Caarapó: 301 atendimentos
- Fátima do Sul: 268 atendimentos
- Outras cidades de MS: 39,08% da demanda total
Os números apresentados por Zé Teixeira provam que cerca de 8 a cada 10 pacientes que utilizam a estrutura do Hospital Regional vêm de outros municípios. Na visão do deputado, essa responsabilidade regional exige que o governo estadual e as prefeituras vizinhas revisem urgentemente o modelo de financiamento e a divisão de custos da saúde.
Parlamentar Alerta para Falta de Leitos e Estrutura Cara
A crise detalhada por Zé Teixeira também atinge o Hospital Evangélico de Dourados, que enfrenta sérios problemas financeiros para manter os serviços de cardiologia de alta complexidade. A redução de leitos de suporte na unidade travou o fluxo de cirurgias, criando filas intermináveis.
A situação gera revolta pela contradição com os investimentos recentes. O Hospital Regional de Dourados Olga Castoldi Parizotto é uma estrutura nova, que atende 34 municípios do Cone Sul. A unidade começou a operar com 100 leitos e tem uma promessa de expansão para 192 leitos, incluindo o serviço de hemodinâmica. No total, a obra recebeu R$ 54,8 milhões em investimentos federais e estaduais, mas ainda não conseguiu resolver o problema das cirurgias de alta complexidade.
O deputado Zé Teixeira defendeu veementemente que o Estado faça um pente-fino em toda a rede hospitalar e repactue as verbas antes que o sistema entre em colapso total.
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1 Comentário
Os números reforçam uma realidade conhecida por quem trabalha na assistência: Dourados exerce papel regional e absorve grande parte da média e alta complexidade do sul do Estado. O debate não deve ser sobre de onde vêm os pacientes, mas se a estrutura, os leitos e o financiamento acompanham essa responsabilidade. Na cardiologia, especialmente, filas prolongadas podem significar perda de oportunidade terapêutica e aumento de mortalidade. A discussão precisa ser baseada em indicadores assistenciais e planejamento regional, não apenas em capacidade física instalada.