A saída de Simone Tebet do MDB e a decisão de disputar o Senado por São Paulo pelo PSB formalizam uma mudança de rota que vinha sendo construída desde 2022. A movimentação, oficializada nesta terça-feira (31), representa uma ruptura política com Mato Grosso do Sul e, na prática, sinaliza o fechamento de um ciclo de décadas de influência regional da família Tebet na política estadual.
Com carreira consolidada em MS — onde foi prefeita, deputada estadual, vice-governadora e senadora — Simone muda agora o eixo de atuação para o maior colégio eleitoral do país. A troca de domicílio e de partido não se resume a uma estratégia eleitoral: reposiciona sua identidade política e amplia a aposta em um projeto de alcance nacional, com foco direto no tabuleiro de 2026 e no cenário pós-eleição.
Ruptura com o MDB e desgaste acumulado
A decisão ocorre após um processo de desgaste com o MDB local, que teria se aprofundado ao longo dos anos. Simone chegou a afirmar publicamente que o partido que conheceu e pelo qual construiu trajetória “já não existe mais”, destacando frustrações com a condução regional da legenda e a falta de espaço político para seus planos eleitorais no Estado. Ao mesmo tempo, ela tenta preservar pontes com a direção nacional do MDB, evitando um rompimento total.
Nos bastidores, a leitura é de que a permanência dela no MDB sul-mato-grossense havia se tornado insustentável, especialmente diante do redesenho das alianças locais e da disputa por vagas majoritárias em 2026.
Aposta em São Paulo e cálculo de risco
A escolha por São Paulo é apresentada como um movimento de alto impacto — e também de risco. Se eleita, Tebet passa a atuar em um centro de gravidade decisivo para o país e fortalece a projeção nacional. Se derrotada, a avaliação é de que o custo político tende a ser elevado, com perda de espaço institucional e afastamento do protagonismo que conquistou nos últimos anos.
A mudança também aproxima Tebet de um campo político mais alinhado ao governo federal. Embora se defina como uma figura de centro, a ministra reconhece o reposicionamento ao integrar um grupo partidário e eleitoral mais próximo do presidente Lula, num movimento atribuído, em parte, a articulações nacionais e convites feitos nos últimos meses.
Efeito em MS: impacto político e simbólico
Analistas avaliam que o impacto prático em Mato Grosso do Sul tende a ser limitado, porque a atuação de Tebet no Estado já havia perdido centralidade após sua candidatura presidencial em 2022 e a entrada no governo federal. Ainda assim, o efeito simbólico é relevante: marca o encerramento de uma era de influência familiar na política regional e abre espaço para uma reorganização de forças dentro do MDB e do centro político local.
Com foco quase integral no cenário paulista, a expectativa é de que sua presença em MS se torne pontual, restrita a agendas específicas, enquanto a campanha e a articulação eleitoral se concentram no novo reduto.











