O clima de tensão fora dos gramados atingiu o nível máximo às vésperas do início da Copa do Mundo de 2026. O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, eleito o melhor juiz da África em 2025 e escalado para apitar no Mundial, foi barrado pela imigração dos Estados Unidos e deportado. O caso gerou revolta internacional e fez o ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter, quebrar o silêncio com duras críticas à atual gestão da entidade.
O juiz africano relatou ter vivido um verdadeiro pesadelo em solo norte-americano: ele enfrentou um interrogatório exaustivo de 11 horas pelas autoridades de imigração e chegou a ficar trancado em uma cela de detenção antes de ser mandado de volta.
Blatter Detona Falta de Pulso da Fifa: “Absurdo e Inacreditável”
Em entrevista ao tradicional jornal francês L’Équipe, Joseph Blatter, hoje com 90 anos, subiu o tom contra o atual presidente da Fifa, Gianni Infantino. Para o ex-dirigente, a entidade máxima do futebol falhou de forma grave ao se curvar diante das decisões políticas do governo de Donald Trump.
Blatter relembrou que existem duas regras sagradas e inegociáveis para qualquer país que deseja sediar uma Copa do Mundo:
- Garantia total de segurança para todas as delegações e torcedores;
- Liberação obrigatória de vistos de entrada para todos os membros oficiais da Fifa — o que inclui, obrigatoriamente, os árbitros.
“Se um país nega a entrada a um árbitro, é um problema sério, e a Copa do Mundo não deveria ser realizada em tal país. A culpa recai principalmente sobre a Fifa: ela abandonou esse princípio. O atual presidente deveria mostrar que é mais forte que seu bom amigo na Casa Branca”, disparou Blatter.
Entidade se Esquiva e Confirma Exclusão de Juiz do Mundial
Após a repercussão negativa do episódio, a Fifa se manifestou publicamente para confirmar que Omar Artan está oficialmente fora do quadro de árbitros da Copa do Mundo de 2026. No entanto, a federação lavou as mãos e justificou que não possui autonomia para interferir ou mudar as regras de soberania e imigração dos países-sede.
Essa postura de neutralidade da Fifa inflamou ainda mais os bastidores políticos do esporte. Além de arruinar o sonho do principal árbitro do continente africano, o veto dos Estados Unidos abre um precedente perigoso e acende um sinal de alerta sobre o nível de controle que a política local exercerá sobre a governança do torneio ao longo da competição.
Você acha que a Fifa agiu certo ao não interferir nas leis de imigração dos Estados Unidos ou a entidade deveria ter batido o pé para garantir a presença do árbitro somali?
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