sexta-feira, 17 de abril de 2026
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Gaeco mira ex-prefeito de Coronel Sapucaia, filha e mais 11 por suspeita de fraude em licitações e contratos públicos

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) deflagrou nesta terça-feira (31/03/2026) a operação “Mão Dupla”, que investiga um suposto esquema de fraude em licitações e contratos públicos em Coronel Sapucaia, município a 396 quilômetros de Campo Grande. Entre os alvos estão o ex-prefeito Rudi Paetzold (MDB), a filha dele, Adriane Paetzold, e outros 11 investigados.

A ação é apontada como segunda fase da Operação Pretense, conduzida pelo MPMS, com autorização do Tribunal de Justiça. Ao todo, foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou 13 medidas cautelares, incluindo proibição de acesso à administração municipal, impedimento de contato entre investigados e uso de tornozeleira eletrônica.

Além disso, foram autorizadas buscas pessoais em dois endereços e determinada a suspensão do exercício de função pública de dois envolvidos, conforme informações divulgadas no âmbito da investigação.

Quem são os investigados citados

Além do ex-prefeito e da filha, a operação menciona como alvos das medidas:

  • Adriel Celant Espíndola
  • José Rosan Espíndola de Espíndola
  • Alan Douglas Maciel
  • Kariony Celant Espíndola
  • André de Assis Voginski (pregoeiro oficial)
  • Aparecida Janaina Lima Cavalcante (fiscal de contratos da gestão anterior)
  • Celso Ricardo Maciel Ferreira (ex-secretário de Infraestrutura)
  • Gislene Aparecida Micuinha Farias (servidora)
  • Jonathan Cavalheri (assessor especial)
  • Karin Zarate Araújo (comissão permanente de licitação)
  • Willian dos Santos Barbosa (engenheiro concursado)

Ação em quatro cidades e apoio do Bope

As diligências ocorreram em Coronel Sapucaia, Amambai, Ponta Porã e Caarapó. Em Ponta Porã, equipes do Gaeco atuaram com apoio do Bope, conforme relato da operação. Fotos divulgadas pela investigação mostram dinheiro em espécie apreendido durante o cumprimento dos mandados.

De acordo com o MPMS, a apuração reúne suspeitas de crimes como fraude em licitações, peculato, corrupção passiva e pagamentos irregulares em contratos públicos, envolvendo agentes políticos, secretários e servidores. O nome “Mão Dupla” faz referência a um suposto bordão atribuído às tratativas investigadas: “você me ajuda, que eu te ajudo”.

O que diz a prefeitura

A prefeita Niágara Kraievski afirmou que a investigação não envolve a gestão atual e que os fatos apurados estariam relacionados a irregularidades de 2024, período anterior à atual administração.

Origem: Operação Pretense

A primeira fase da Operação Pretense ocorreu em dezembro de 2024, com mandados na prefeitura e em empresas ligadas a um grupo familiar do município. Na ocasião, a investigação apontou contratos que somariam R$ 27,6 milhões firmados entre 2020 e 2024, com destaque para valores concentrados em uma construtora citada como responsável por obra hospitalar, além de outros contratos atribuídos a empresas do mesmo núcleo familiar.

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