O Senado Federal deu um passo definitivo para transformar o Brasil em um polo tecnológico global. Foi aprovado o projeto que cria o Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter), garantindo incentivos fiscais agressivos para empresas que instalarem ou ampliarem servidores e estruturas de processamento de dados no país. O texto já passou pela Câmara dos Deputados e agora segue direto para a sanção presidencial.
A medida zera temporariamente tributos pesados na compra de componentes eletrônicos e equipamentos de tecnologia, sejam eles nacionais ou importados.
O que muda na prática com o Redata?
As empresas beneficiadas pelo programa ficarão livres de pagar quatro impostos fundamentais por um período de cinco anos:
- Imposto de Importação (exclusivo para itens sem similar nacional)
- PIS/Cofins
- PIS/Cofins-Importação
- IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados)
Após o cumprimento de exigências contratuais, essa suspensão temporária de tributos se transforma em isenção definitiva. O Ministério da Fazenda calcula que a renúncia fiscal gerada pelo programa alcance R$ 5,2 bilhões apenas em 2026, com uma projeção de mais R$ 1 bilhão por ano para o biênio seguinte.
Contrapartidas e regras rígidas para o setor
Os benefícios não virão sem exigências claras. Para ter direito aos descontos tributários, as companhias precisarão cumprir metas rígidas de desenvolvimento e sustentabilidade:
- Mercado interno: Pelo menos 10% da capacidade total de processamento e armazenamento instalada com o incentivo deverá ser obrigatoriamente destinada ao atendimento do mercado brasileiro.
- Novos investimentos: As empresas precisarão reinvestir no país o equivalente a 2% do valor total das compras feitas com os benefícios fiscais.
- Sustentabilidade ambiental: Os data centers deverão operar utilizando energia de fontes renováveis ou de baixa emissão, além de cumprir tetos estritos de eficiência no uso de água para o resfriamento das máquinas.
Para descentralizar o setor — hoje concentrado no eixo Sudeste-Sul —, o projeto estabelece condições facilitadas e metas reduzidas para empreendimentos que decidirem se instalar nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
A meta do governo: Soberania tecnológica
A justificativa central para a medida é a alta dependência externa do país no setor digital. De acordo com dados oficiais divulgados pelo Ministério da Fazenda, cerca de 60% de todas as cargas de dados e de inteligência artificial utilizadas por brasileiros e empresas no país são processadas em servidores localizados no exterior.
Com a infraestrutura robusta do Redata, o governo espera reverter esse cenário, garantindo maior autonomia digital, segurança da informação e estímulo direto à economia tecnológica nacional.
(Com informações consolidadas da Agência Brasil)
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