Novas investigações da Polícia Federal (PF) trouxeram à tona conversas recuperadas do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Os diálogos colocam o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), no centro de tratativas de um negócio imobiliário milionário na Paraíba, além de revelarem aproximações para debater pautas de interesse do mercado financeiro no Congresso.
De acordo com as apurações divulgadas pelo Jornal de Brasília, as mensagens detalham negociações em torno de um terreno de mais de 400 hectares onde funcionava uma antiga fábrica de cimento em João Pessoa. O imóvel, com valor fiscal estimado em R$ 101 milhões, foi adquirido por R$ 45 milhões com a intenção de transformá-lo em um novo bairro na capital paraibana.
O financiamento da operação — no valor de pelo menos R$ 22 milhões — foi concedido pelo Banco Master a uma empresa ligada à cunhada do parlamentar.
Sociedade E Interlocução No Congresso
As evidências recolhidas pela PF mostram que o envolvimento de Hugo Motta ultrapassou a intermediação do crédito bancário:
- Formato de Sociedade: Em março de 2024, Motta informou Vorcaro sobre documentos assinados e mencionou um “formato de sociedade” previamente combinado. Dias depois, o parlamentar agradeceu a “confiança e parceria”, ao que o banqueiro respondeu tratar-se do início de uma “parceria de vida”.
- Mercado de Carbono: Em novembro de 2024, Vorcaro procurou o deputado para obter detalhes sobre um projeto de lei relativo ao mercado de carbono que tramitava no Legislativo. Motta prontificou-se a enviar o texto.
- Fundo Garantidor de Créditos (FGC): Em março daquele ano, Motta solicitou um estudo técnico sobre o FGC à equipe do banqueiro e mencionou avaliar onde o assunto poderia ser “encaixado”. Os registros também mostram a disponibilização de uma aeronave por Vorcaro para um voo entre Guarulhos e Brasília.
O Outro Lado: O Que Diz Hugo Motta?
Em nota oficial enviada por sua assessoria de imprensa, o presidente da Câmara rechaçou qualquer irregularidade ou favorecimento:
“O deputado mantém interlocução com diferentes setores empresariais em razão da atividade parlamentar e contesta interpretações que retiram as conversas de contexto. O empréstimo entre a empresa privada e o Banco Master ocorreu antes de as investigações envolvendo a instituição financeira e Vorcaro se tornarem públicas. O parlamentar confia plenamente nos órgãos responsáveis pelas apurações.”
Qual é a sua opinião sobre esses desdobramentos envolvendo o comando da Câmara dos Deputados e o setor financeiro?
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