A Prefeitura de Dourados deu um passo importante no enfrentamento da epidemia de Chikungunya. O prefeito Marçal Filho assinou, nesta quarta-feira (27), o Decreto nº 690, que suspende oficialmente o estado de calamidade pública na saúde do município.
Apesar do recuo nos indicadores, as autoridades alertam que o estado de emergência na saúde (instituído pelo Decreto nº 587) continua mantido, exigindo que a população não baixe a guarda no combate ao mosquito transmissor.
Por que a Calamidade Pública foi Revogada?
A decisão de encerrar o status de calamidade — que estava em vigor desde o dia 20 de abril de 2026 através do Decreto nº 638 — foi motivada por uma redução sustentada na curva de contágio da doença.
A medida foi chancelada pelo Centro de Operações de Emergência em Saúde (COE) após reunião técnica. O conselho, que conta com a participação de órgãos como o Ministério da Saúde, Secretaria de Estado de Saúde (SES), Defesa Civil e lideranças de saúde indígena, identificou uma melhora consistente no cenário epidemiológico local.
Ocupação de Leitos e Internações Despencam pela Metade
O reflexo direto da diminuição de novos casos aparece na rede hospitalar de Dourados. No pico da crise de saúde, o município chegou a registrar 58 pessoas internadas simultaneamente devido a complicações causadas pela Chikungunya.
Atualmente, o número caiu para 24 pacientes internados, distribuídos da seguinte forma nos hospitais da região:
- Hospital Universitário (HU-UFGD): 17 pacientes
- Hospital Evangélico Mackenzie: 4 pacientes
- Hospital Indígena Porta da Esperança (Missão Caiuá): 1 paciente
- Hospital Regional: 1 paciente
- Hospital Unimed: 1 paciente
Raio-X da Epidemia: A Trajetória da Doença em Dourados
O levantamento detalhado feito pela Secretaria Municipal de Saúde mostra como a infecção se comportou ao longo das semanas epidemiológicas de 2026 até atingir o platô e iniciar a atual fase de declínio.
O Início e a Escalada (Semanas 1 a 10)
O monitoramento começou tímido, variando entre 19 e 40 notificações nas primeiras cinco semanas do ano. O sinal de alerta acendeu a partir da Semana 8, quando as notificações saltaram para 143, atingindo 358 casos na semana 10.
O Pico da Crise (Semanas 11 a 15)
Dourados viveu o pior momento da epidemia na Semana 12, que registrou o recorde de 1.207 notificações. O patamar se manteve extremamente alto até a Semana 15, registrando mais de mil casos semanais e sobrecarregando o sistema de saúde.
A Queda Consistente (Semanas 16 a 21)
A curva começou a apresentar retração na Semana 16 (852 notificações) e manteve a tendência de queda livre. A Semana 20 fechou com apenas 240 notificações, e os dados prévios da Semana 21 apontam para um recuo ainda maior.
Alerta: Fiscalização Aponta Menos Focos, mas Cuidados Devem Continuar
Embora o número de focos do mosquito Aedes aegypti tenha caído de forma acentuada nas últimas vistorias dos agentes de endemias, a Secretaria de Saúde reforça que o perigo não sumiu.
“A população precisa manter o estado de vigilância e dar continuidade às ações preventivas, limpando calhas, eliminando pratos de vasos e evitando qualquer acúmulo de água parada nos quintais”, adverte Márcio Figueiredo, Secretário Municipal de Saúde e coordenador do COE.












