O Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (Cira-SP) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (15 de julho de 2026), a Operação Distrato. O objetivo principal da força-tarefa é desarticular um sofisticado esquema de comercialização de créditos falsos de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Segundo dados oficiais da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP), o rombo provocado aos cofres públicos supera a impressionante marca de R$ 3,8 bilhões.
Um dos principais alvos da investigação é o grupo econômico ligado a Nelson Wilians, fundador de um dos maiores e mais influentes escritórios de advocacia do país e da América Latina. O Cira-SP composto pela Sefaz-SP, pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE-SP), com apoio das polícias Civil e Militar cumpriu mandados de busca e apreensão na residência e no escritório do advogado.
Como Funcionava O Esquema Das Consultorias?
De acordo com as investigações conduzidas pelo Ministério Público, escritórios de advocacia e empresas de consultoria ligados a Nelson Wilians abordavam centenas de contribuintes oferecendo supostos planejamentos tributários milagrosos.
Na prática, eles vendiam créditos de ICMS falsos ou inexistentes com grande desconto (deságio). Esses créditos não possuíam qualquer autorização do Fisco paulista e estavam vinculados a massas falidas, empresas inaptas ou transações sem nenhum lastro financeiro real.
O Lucro Dos Intermediários
- Compensação irregular: Ao aderir à fraude, a empresa compradora deixava de recolher o imposto devido ao Estado.
- Honorários abusivos: Para dar andamento ao processo ilegal, os clientes pagavam aos intermediários taxas de êxito que podiam alcançar até 70% sobre o valor dos créditos compensados.
- Falsificação de documentos: O grupo elaborava contratos, procurações e até apólices falsas para simular que a operação tinha o aval da administração tributária.
Ao todo, as auditorias fiscais já identificaram 752 empresas envolvidas no esquema de sonegação estruturada.
Alvos Em São Paulo E No Paraná
A Justiça paulista, por meio da 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital, expediu ao todo 38 mandados de busca e apreensão.
As ações foram deflagradas de forma simultânea nas seguintes cidades:
- São Paulo
- Campinas
- Jundiaí
- Ribeirão Preto
- Londrina (PR)
- Cambé (PR)
Além de Nelson Wilians, o foco das investigações em Londrina recaiu sobre a advogada Mayra Fahur de Paula, apontada como sócia de Wilians na engrenagem criminosa e peça de liderança no esquema estruturado.
O Posicionamento Das Autoridades
De acordo com representantes do Ministério Público e da Sefaz-SP, a operação é um marco no combate à sonegação fiscal de grande porte. Em pronunciamento conjunto, os coordenadores da força-tarefa destacaram o prejuízo para a sociedade:
“O objetivo central desta ação é punir de forma exemplar a concorrência desleal. Precisamos garantir que as empresas cumpridoras da lei, que recolhem seus impostos de maneira correta, não sejam prejudicadas no mercado por práticas flagrantemente ilícitas que destroem a receita pública.” Representantes do Cira-SP e MP-SP.
O Que Diz O Outro Lado?
Até o momento, a CNN Brasil, o portal UOL e o Estadão tentaram contato direto com as assessorias jurídicas de Nelson Wilians e de Mayra Fahur de Paula. No entanto, os investigados ainda não se manifestaram publicamente sobre as buscas e as acusações. O espaço permanece integralmente aberto para as devidas manifestações das defesas.
O que você acha desse caso?
O impacto de fraudes tributárias desse tamanho afeta diretamente os serviços públicos e a economia do nosso país. Qual é a sua opinião sobre o envolvimento de grandes nomes da advocacia em escândalos fiscais?
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