O sistema financeiro do Paraguai enfrenta momentos de extrema turbulência após a intervenção e o congelamento abrupto das operações do Ueno Bank, uma das principais instituições de crédito e pagamentos digitais do país. A medida extrema, decretada pelo Banco Central do Paraguai (BCP), impacta de maneira direta cerca de 2,9 milhões de clientes, o que representa aproximadamente 40% de toda a população paraguaia.
A decisão foi tomada na última terça-feira (3) após uma auditoria e o monitoramento rigoroso apontarem falhas severas na saúde financeira do banco, incluindo insuficiência crônica de capital para honrar seus compromissos operacionais e transações diárias — que somavam cerca de três milhões por dia.
Impacto Social: Aposentados E Comerciantes Prejudicados
Com o bloqueio total das contas, o cenário nas ruas de Assunção e em outras regiões tornou-se caótico. Pelo menos 32 mil aposentados e pensionistas que dependiam exclusivamente da instituição para receber seus proventos mensais ficaram sem poder sacar dinheiro ou efetuar pagamentos básicos de subsistência, como alimentação e remédios.
O comércio varejista também sofreu um baque severo. Como o Ueno Bank gerenciava uma fatia expressiva dos pagamentos eletrônicos em grandes redes do país, lojas e estabelecimentos registraram quedas bruscas nas vendas e dificuldades operacionais.
Diante do desespero, centenas de correntistas tomaram as ruas da capital para exigir respostas e a liberação imediata de suas economias, o que gerou momentos de tensão e até confrontos com a polícia nas imediações do Congresso Nacional.
Prisões, Queda No Banco Central E Crise Política
O escândalo rapidamente ultrapassou as paredes do banco e gerou desdobramentos judiciais e políticos drásticos:
- Prisões: A operação policial resultou na detenção de oito pessoas, incluindo altos executivos da instituição financeira e membros ligados ao Grupo Vázquez, conglomerado controlador do banco.
- Reestruturação no BCP: A pressão política culminou na queda do presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, além de outros dois diretores da autoridade monetária. Para conter a crise institucional, o presidente da República, Santiago Peña, nomeou o economista Raúl Vera Bogado para assumir o comando do Banco Central.
- Pressão sobre o Executivo: A oposição passou a questionar publicamente os vínculos anteriores entre o presidente Santiago Peña e o grupo empresarial controlador, levantando inclusive discussões sobre um possível pedido de impeachment.
Governo E Congresso Correm Para Garantir Ressarcimento
Para tentar conter a insatisfação popular e o pânico no mercado, o Congresso paraguaio mobilizou-se para acelerar o processo de devolução dos valores bloqueados.
Pelas regras vigentes do sistema de garantia de depósitos do Paraguai, a cobertura estipulada é de até 75 salários mínimos locais, o equivalente a cerca de 228,3 milhões de guaranis por correntista.
Enquanto projetos de lei buscam agilizar o repasse — com propostas que miram pagamentos em até 24 horas —, o Banco Central anunciou um adiantamento inicial de até 10 milhões de guaranis (aproximadamente R$ 9,1 mil) por cliente afetado. Contudo, milhares de pessoas seguem apreensivas, aguardando que o dinheiro retorne de fato às contas enquanto as investigações apuram as causas profundas da falência.
O que você acha dessa medida drástica tomada pelo governo paraguaio para conter a crise? Acredita que os correntistas conseguirão reaver seus fundos rapidamente?
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