O ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, conhecido como Neno Razuk (PL), foi preso pelas autoridades bolivianas neste último domingo (2) após passar cerca de um mês na condição de foragido. O político estava com o nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol e foi interceptado na estrada quando seguia em direção a Santa Cruz de La Sierra.
Logo após a detenção no país vizinho, Neno Razuk foi entregue à Polícia Federal brasileira e transferido para a cidade de Corumbá na madrugada desta segunda-feira (3), devendo ser encaminhado posteriormente para a capital, Campo Grosso.
Entenda O Caso E A Condenação
A ordem de prisão contra o ex-parlamentar foi expedida pela 4ª Vara Criminal em dezembro de 2025. No entanto, o mandado não havia sido cumprido inicialmente porque ele contava com imunidade parlamentar. A proteção jurídica chegou ao fim em 21 de maio deste ano, após uma recontagem de votos das eleições de 2022 realizada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MS), que alterou a composição da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) e fez com que ele perdesse o mandato para João César Mattogrosso, além de ficar proibido de exercer cargos públicos por oito anos.
Neno Razuk foi sentenciado a cumprir uma pena de 15 anos, 7 meses e 15 dias de prisão pelos crimes de:
- Organização criminosa armada;
- Roubo majorado;
- Exploração do jogo do bicho.
Esquema E Movimentação Financeira
De acordo com as investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), vinculada ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o ex-deputado, familiares e outras dezenas de pessoas integrariam uma organização criminosa que tentava monopolizar o controle do jogo do bicho no estado, ocupando o espaço deixado após a Operação Omertà.
As apurações apontam que o grupo movimentava pelo menos R$ 600 mil mensais com a contravenção. Durante as fases da Operação Successione, deflagrada pelo MPMS, os investigadores apreenderam mais de 700 máquinas de jogo do bicho, centenas de milhares de reais em espécie, além de solicitar o bloqueio de R$ 36 milhões em bens da família Razuk.
O Que Diz A Defesa
Em nota oficial enviada à imprensa, os advogados Ricardo Souza Pereira e Roberto Razuk Neto esclareceram a situação do cliente:
“Roberto Razuk Filho ingressou na Bolívia em 1º de julho de 2026, em momento anterior à expedição do mandado de prisão, e somente tomou conhecimento da decretação de sua prisão por meio das notícias veiculadas pela imprensa. […] Após o julgamento desfavorável dos recursos […] decidiu cumprir espontaneamente a ordem judicial, manifestando formalmente, nos autos, sua intenção de se apresentar às autoridades competentes. Antes de reingressar em território nacional, contudo, Roberto Razuk Filho foi abordado por autoridades estrangeiras, que procederam à sua entrega à Polícia Federal, impossibilitando que a apresentação voluntária ocorresse nos moldes previamente requeridos e autorizados pelo Poder Judiciário. A defesa adotará todas as medidas judiciais cabíveis para demonstrar a inexistência dos requisitos que justifiquem a manutenção da prisão preventiva.”
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