O número de mulheres que disputam vagas na Câmara dos Deputados disparou quase 1.000% nas últimas duas décadas. No entanto, esse crescimento expressivo não se traduziu na mesma proporção dentro do Legislativo. É o que revela o novo Portal da Classe Política, lançado pelo INCT-ReDem e pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Abaixo, explicamos os principais pontos desse levantamento e o que impede a verdadeira igualdade de gênero nas urnas.
Os Números da Desigualdade Eleitoral
Os dados mostram um abismo entre a intenção de voto e o resultado final nas urnas eletrônicas:
- Explosão de candidaturas: Entre 1998 e 2022, o total de mulheres na disputa pela Câmara saltou de 358 para 3.668 — um impressionante avanço de 925%.
- Ritmo lento de eleitas: No mesmo período, as deputadas federais eleitas passaram de 29 para 90. Embora seja um crescimento de 210%, o número é desproporcional ao total de candidatas.
- Barreira dos 20%: Nas eleições de 2022, as mulheres conquistaram apenas 17,5% das vagas na Câmara e 17,8% nas assembleias estaduais.
O paradoxo das leis: Regras como a Lei das Cotas de Gênero exigem o piso de 30% de candidaturas femininas, mas os partidos políticos ainda falham em dar condições reais de disputa para que elas cheguem perto da paridade de 50%.
Por Que as Mulheres Ainda Não Ocupam Esses Espaços?
De acordo com o cientista político Nilton Sainz, coordenador da pesquisa, as barreiras invisíveis estão dentro das próprias estruturas partidárias. Os principais motivos são:
- Falta de Verba Real: O financiamento de campanha é desigual. Enquanto homens recebem dinheiro direto, mulheres costumam receber recursos convertidos em materiais impressos (como santinhos e panfletos).
- Candidaturas “Laranja”: Muitas mulheres são registradas pelos partidos apenas para cumprir a cota obrigatória por lei, sem receber apoio estrutural ou financeiro para viabilizar a vitória.
- Exclusão Interna: Mulheres são frequentemente afastadas dos cargos de liderança nos partidos, o que reduz seu tempo de TV e visibilidade.
O Impacto Direto no Seu Dia a Dia
A ausência de mulheres no poder afeta diretamente as leis do país. Sem representatividade, pautas urgentes perdem espaço no orçamento público, tais como:
- Combate ao feminicídio e à violência doméstica;
- Criação e ampliação de creches;
- Políticas públicas de saúde e assistência.
Sobre o Portal da Classe Política
A plataforma reúne dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 14 eleições (de 1998 a 2024). Ela permite que qualquer cidadão consulte de forma visual o perfil dos candidatos, patrimônios declarados e taxas de reeleição nos níveis municipal, estadual e federal, tornando o processo democrático mais transparente.
O que você achou desses dados? Acredita que os partidos deveriam ser punidos de forma mais severa pelo uso de candidaturas “laranja”?
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