Uma operação recente da Polícia Federal (PF) lançou luz sobre o uso de fundos de previdência municipal para investimentos de alto risco. As operações Zehirut e Charitzut investigam a aplicação de R$ 9 milhões de servidores públicos nas letras financeiras do Banco Master.
A investigação, no entanto, acabou expondo um forte contraste na prestação de contas de duas cidades do Mato Grosso do Sul: Angélica e Fátima do Sul. Enquanto um município agiu rápido e retirou o dinheiro a tempo, o outro enfrenta um apagão de dados públicos.
Na ação, a PF apreendeu documentos, quatro HDs, quatro pendrives, seis computadores e 13 celulares para analisar como as decisões de investimento foram tomadas.
Angélica (MS): Resgate rápido e contas abertas
O Instituto de Previdência dos Servidores Públicos Municipais de Angélica (IPA) havia aplicado R$ 2 milhões no Banco Master — o que representava cerca de 4,8% de todo o seu patrimônio financeiro em 2025.
O desfecho do caso na cidade serve de exemplo sobre gestão de risco:
- Ação preventiva: O prefeito Edinho Cassuci (PSDB) explicou que o instituto tem autonomia e que os recursos foram totalmente sacados em novembro de 2025.
- Alerta da consultoria: O resgate ocorreu logo após a consultoria financeira da autarquia sinalizar riscos de o banco não honrar compromissos.
- Prejuízo zero: De acordo com a prefeitura, o dinheiro voltou para os cofres do IPA sem qualquer perda para os servidores aposentados.
- Transparência: O portal do instituto mantinha relatórios públicos atualizados detalhando a evolução do dinheiro até o momento do saque.
Fátima do Sul (MS): Transparência desatualizada gera preocupação
A situação do Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Fátima do Sul (IPREFSUL) caminha no sentido oposto. A autarquia aplicou R$ 7 milhões no mesmo banco, mas o rastreamento desse dinheiro é bem mais difícil.
- Apagão de dados: O portal de transparência do IPREFSUL está desatualizado, com informações públicas paradas em 2023 — período anterior à aplicação milionária investigada.
- Prefeito sem informações: O prefeito Wagner Roberto Ponsiano (PSDB) afirmou que a prefeitura em si não é alvo da PF e que nenhum servidor do executivo é investigado. Ele aguarda uma posição oficial do instituto.
- Risco de perda: Por ser também servidor de carreira e contribuinte do fundo, o prefeito demonstrou forte preocupação. Ele admitiu que o instituto estuda formas de recuperar o dinheiro, mas confessou: “A gente acha que é difícil”.
Próximos passos da operação da Polícia Federal
O foco das investigações agora é entender os critérios utilizados pelos gestores desses institutos para colocar o dinheiro de aposentadorias em ativos de risco elevado. A Polícia Federal quer descobrir se houve favorecimento, quebra de regras de compliance ou crime contra o sistema financeiro.
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Como cidadão ou servidor, você costuma acompanhar onde o instituto de previdência da sua cidade investe o dinheiro do seu futuro? Deixe seu comentário e compartilhe para conscientizar mais pessoas sobre a importância da transparência pública!








