As articulações bastidores para o comando do Senado Federal ganharam um novo e impactante capítulo. O senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) estuda articular um indulto ou uma proposta de anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro. A estratégia busca atrair o apoio da bancada de direita e garantir sua reeleição à presidência da Casa.
Além de somar votos decisivos, a manobra articulada por aliados de Alcolumbre visa aliviar a crescente pressão pelo impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), com foco no ministro Alexandre de Moraes.
Estratégia Dupla: Indulto Presidencial ou Anistia no Congresso
Para concretizar o plano, Alcolumbre avalia dois caminhos distintos:
- Indulto Humanitário: Negociar diretamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a concessão do benefício a Bolsonaro, que se encontra detido desde agosto de 2025 após condenação por tentativa de golpe de Estado. Embora Lula e Alcolumbre tenham se reunido recentemente, interlocutores apontam que o tema ainda não foi levado à mesa para esperar a poeira política baixar.
- Anistia via Legislativo: Caso a via do Poder Executivo seja recusada por Lula, a alternativa será pautar e votar um projeto de anistia dentro do próprio Congresso Nacional, dependendo exclusivamente do voto de deputados e senadores.
Disputa Acirrada pelo Comando do Senado
A movimentação antecipa o cenário político com foco na bancada conservadora, que chega fortalecida. Para assegurar o cargo, Alcolumbre enfrentará concorrentes diretos da oposição, como o senador Rogério Marinho (PL-RN) e a senadora Tereza Cristina (PP-MS).
Com o PL ostentando a maior bancada do Senado, somado ao apoio de legendas como Novo, PP e Republicanos, conquistar a ala direitista tornou-se peça-chave nas negociações secretas.
“A escolha do presidente do Senado é realizada por votação secreta, o que exige alianças estratégicas tanto com a base governista quanto com a oposição para consolidar a vitória.”
Pacto Envolvendo Ministros do STF
Outra ponta crucial da negociação envolve refrear os pedidos de afastamento de magistrados da Suprema Corte. Atualmente, estimam-se cerca de 49 senadores favoráveis a processos de impeachment contra ministros do STF — número próximo dos 54 votos necessários para a aprovação do pedido.
Juristas e aliados alertam, contudo, que uma eventual anistia pode ter alcance limitado: ela atuaria sobre eventuais condenações criminais, mas pode não devolver automaticamente os direitos políticos do ex-presidente, mantendo sua inelegibilidade.
Até o momento, as tratativas seguem restritas aos bastidores e sem uma proposta formalizada. O desfecho dependera da postura do Palácio do Planalto, do alinhamento da oposição e dos desdobramentos no Judiciário.
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