domingo, 22 de março de 2026
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União oferece compensar 50% das perdas e pressiona Estados a zerar ICMS do diesel até 31 de maio


O governo federal propôs que Estados e Distrito Federal zerem o ICMS do diesel de forma temporária até 31/05/2026, com a União bancando 50% da perda de arrecadação. A medida foi levada ao Confaz na quarta-feira (18/03/2026) pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, em meio à disparada do petróleo e ao risco de pressão no abastecimento.

Como funcionaria a compensação prometida pela União

Pelo desenho apresentado, a equipe econômica estima que a renúncia de ICMS com alíquota zerada pode chegar a R$ 3 bilhões por mês para os Estados. O plano prevê:

  • R$ 1,5 bilhão/mês coberto pela União (metade do total);
  • vigência até 31/05/2026;
  • impacto acumulado no período estimado em R$ 6 bilhões, com metade suportada pelo governo federal.

A proposta é descrita como “temporária” e condicionada ao acordo dos governadores.

Resistência dos Estados: “não reduz na bomba e corta gasto social”

A contraproposta surge após sinalização de resistência dos Estados. O Comsefaz (conselho que reúne secretários estaduais de Fazenda) levou ao presidente Lula a avaliação de que reduzir ICMS:

  • compromete recursos usados em políticas públicas (incluindo ações sociais);
  • não assegura repasse do desconto ao consumidor final, ou seja, pode não resultar em queda efetiva “na bomba”.

O tema ganhou tração depois que o presidente do Comsefaz, Flávio César (secretário de Fazenda de MS), comunicou ao governo federal que os Estados não estavam dispostos a ceder no imposto sem garantia de compensação.

Pressão externa: guerra, petróleo e dependência de importação

Sob comando do novo líder supremo, Irã ataca Kuwait, Catar e refinaria de petróleo do Bahrein — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Sob comando do novo líder supremo, Irã ataca Kuwait, Catar e refinaria de petróleo do Bahrein — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

A proposta é justificada pela escalada de preços do petróleo no mercado internacional, atribuída ao conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O argumento do Ministério da Fazenda é que o diesel importado pode ficar mais caro do que o preço interno, aumentando risco de descompasso e de pressão sobre o abastecimento.

O Brasil ainda depende de importações para cerca de 30% do consumo de diesel, o que torna o preço doméstico mais sensível a choques externos.

Negociação no Confaz e prazo para decisão

A decisão sobre zerar o ICMS não é automática: depende de adesão de governadores e de deliberação política no âmbito dos Estados. O tema deve ser discutido até 27/03/2026, data em que o Confaz tem reunião presencial em São Paulo.

A equipe econômica afirma que busca um acordo “sem imposição”, tentando evitar repetição do modelo de 2022, quando houve redução do ICMS e a compensação virou debate posteriormente.

Outras medidas: tributos federais e fiscalização com a ANP

Além da tentativa de mexer no ICMS, o governo cita outras frentes:

  • medidas sobre tributos federais (como PIS/Cofins) e instrumentos de incentivo/subsídio (conforme anúncios anteriores);
  • acordo entre ANP e 21 Estados para compartilhamento em tempo real de notas fiscais de combustíveis, com objetivo de reforçar fiscalização e coibir abusos.

Segundo o relato, seis Estados pediram mais prazo para avaliar o acordo com a ANP: AL, AM, MT, PR, SC e SP.

Com a alta do diesel pressionada por fatores internacionais, a União tenta construir uma saída federativa: alívio tributário estadual com compensação parcial. Os Estados, porém, sustentam que sem mecanismos de repasse e controle, o corte do ICMS pode virar perda de arrecadação sem benefício claro ao consumidor. A definição deve avançar até a reunião do Confaz em 27 de março.

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