segunda-feira, 09 de março de 2026
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Países árabes ganham força como alternativa à China nas exportações de carne bovina do Brasil

Os países árabes vêm sendo apontados como um caminho estratégico para o setor de carne bovina brasileira diante das cotas tarifárias adotadas pela China a partir de 1º de janeiro. Embora as salvaguardas chinesas ainda não tenham provocado queda imediata nos embarques — e o setor tenha alcançado novo recorde em janeiro —, o movimento de diversificação de destinos volta ao centro das atenções para reduzir riscos e proteger a receita das exportações.

Um levantamento da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira reforça essa tendência: entre 2022 e 2024, as vendas do Brasil aos mercados árabes avançaram 75% em volume e 69% em receita. Segundo o estudo, o Oriente Médio tem se consolidado como destino relevante por absorver uma cesta mais variada de produtos e, com isso, sustentar um valor médio de exportação mais alto.

Demanda mais diversificada e cortes de maior valor agregado

A China segue como principal compradora individual da proteína bovina brasileira, puxando grandes volumes — sobretudo de carne congelada desossada. Já no bloco árabe, o perfil de consumo é descrito como mais diverso, com maior presença de cortes de maior valor unitário e participação relevante de carne refrigerada, fator que tende a melhorar o equilíbrio da receita do exportador.

De acordo com a Câmara Árabe, essa diferença de composição ajuda a explicar por que as vendas para a região costumam manter preços médios relativamente superiores aos observados em mercados de grande escala.

Argélia, Emirados e Arábia Saudita lideram avanço no Oriente Médio

O estudo aponta Argélia, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita como os países que mais contribuíram para a expansão recente.

  • Argélia: o crescimento é atribuído a políticas de segurança alimentar e ampliação de acordos comerciais. Em 2022, o país não importava carne bovina do Brasil, e o volume avançou 1.637% nos dois anos seguintes.
  • Emirados Árabes Unidos: consolidaram-se como hub regional, combinando consumo interno com reexportações para outros mercados. O levantamento registra salto no faturamento das compras, de US$ 58,5 milhões (2022) para US$ 604,9 milhões (2024).
  • Arábia Saudita: ampliou gradualmente a participação, apoiada no fortalecimento das relações comerciais e na adaptação às exigências sanitárias e religiosas, com destaque para produtos halal (“Halal” é um produto que é permitido ou aceitável, de acordo com os valores da religião islâmica). O avanço citado foi de 59% em volume e 38% em receita.

Também aparecem altas expressivas no período em países como Marrocos (2.373%), Iraque (1.256%), Líbano (221%) e Líbia (147%). No caso do Marrocos, o relatório ressalta a existência de barreiras tarifárias elevadas, especialmente para carne refrigerada.

Halal: vantagem competitiva do Brasil

O estudo destaca ainda o mercado halal como um diferencial do Brasil, por já contar com estrutura ampla de certificação e capacidade de oferta em escala. Na avaliação da entidade, a combinação de produção em grande volume, logística e conformidade halal reduz barreiras de entrada e aumenta a competitividade frente a outros exportadores globais.

Tendência de diversificação deve ganhar fôlego

A Câmara de Comércio Árabe-Brasileira avalia que o Oriente Médio tende a ganhar ainda mais relevância para a carne bovina brasileira caso as restrições chinesas se prolonguem. Para o setor, a diversificação deixou de ser apenas alternativa comercial e passou a ser peça central da estratégia de inserção internacional do agronegócio.

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