Um mutirão para conter a epidemia de chikungunya nas aldeias Jaguapiru e Bororó, na Reserva Indígena de Dourados, vistoriou 1.513 moradias em dois dias e identificou 382 focos de larvas do Aedes aegypti. Segundo o balanço divulgado, 648 casas receberam tratamento químico e a maior parte dos criadouros (cerca de 90%) estava em caixas d’água, além de lixo e pneus.
Vistorias e tratamento químico: o que foi feito
A operação reúne equipes das secretarias municipais de Saúde e de Serviços Urbanos, com apoio de órgãos estaduais e federais e participação de lideranças locais. Ao todo, atuam 75 agentes de endemias e 20 agentes de saúde indígena.
Entre as ações realizadas:
- 27 borrifações químicas com máquina costal motorizada;
- Aplicação de inseticida com nebulizadores a frio (Leco);
- Tratamento químico em imóveis com foco para eliminar larvas e reduzir a circulação do mosquito.
Balanço por dia: 664 imóveis no 1º dia e 849 no 2º
1º dia
- 664 imóveis vistoriados
- 171 focos identificados
- 288 casas receberam tratamento específico
- 13 imóveis tiveram borrifação com máquina costal
2º dia
- 849 moradias vistoriadas
- 360 casas com tratamento químico
- 211 focos localizados
Os agentes relataram que os focos se concentravam principalmente em caixas d’água, garrafas PET, recipientes com água para animais, lixos e pneus no entorno das casas.
Situação da chikungunya na reserva: 99 casos confirmados
De acordo com o boletim epidemiológico citado no comunicado, a Reserva Indígena registra 99 casos confirmados de chikungunya e 183 notificações ainda em investigação.
Como reduzir criadouros (principalmente em caixas d’água)
- Tampar caixas d’água e tonéis com tampa vedada ou tela adequada
- Evitar recipientes abertos com água por muitos dias
- Descartar corretamente pneus, garrafas e lixo que acumulam água
- Manter quintal limpo e revisar calhas/vasilhas de animais diariamente
Por que caixas d’água concentram tantos focos
O mutirão aponta que a proliferação do mosquito está ligada ao armazenamento prolongado de água, prática comum devido à falta de abastecimento regular de água potável e à necessidade de guardar água de chuva. Mesmo onde existe rede encanada, a distribuição irregular leva famílias a manter recipientes cheios por longos períodos.
Para locais em que a água não pode ser descartada, as equipes utilizam larvicidas/bioinseticidas voltados especificamente às larvas do Aedes, conforme orientação do CCZ.
Vistorias também avançam em prédios públicos
Além das residências, a Secretaria de Serviços Urbanos iniciou vistorias em prédios públicos dentro da reserva, como:
- escolas
- unidades de saúde
- centros de assistência social

Com foco em eliminar criadouros e reduzir a circulação do mosquito, o mutirão segue como medida emergencial para conter a chikungunya nas aldeias Jaguapiru e Bororó. A continuidade das vistorias e o controle de focos em caixas d’água e resíduos devem ser decisivos para frear o avanço da doença.












