segunda-feira, 09 de março de 2026
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Justiça de MS Extingue 52 Mil Processos de Impostos, Mas Dívidas de IPTU e IPVA Continuam

Medida segue resolução do CNJ para desafogar o judiciário, mas a cobrança dos débitos de até R$ 10 mil agora será feita de forma administrativa, com risco de negativação e protesto.

A Justiça de Mato Grosso do Sul encerrou quase 52 mil processos de execução fiscal para cobrança de impostos como IPTU, ISS, ICMS e IPVA. A medida, que segue uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), se aplica a ações com valor inferior a R$ 10 mil que estavam sem movimentação há mais de um ano.

É fundamental entender que o processo judicial foi extinto, mas a dívida não foi perdoada. A cobrança agora migra da esfera judicial para a administrativa.

O Fim do Processo, Não da Dívida

Com o fim da ação na Justiça, os governos (estadual e municipais) passam a usar outras ferramentas para cobrar os contribuintes inadimplentes. Segundo a Procuradoria de Assuntos Fiscais de Campo Grande, as novas estratégias incluem:

  • Cobrança administrativa: Contato direto com o devedor por meio de call center ou notificações.
  • Negativação: Inscrição do nome do devedor em serviços de proteção ao crédito, como o SPC.
  • Protesto em cartório: Oficialização da dívida, o que gera restrições ao CPF ou CNPJ.
  • Agrupamento de débitos: A prefeitura pode somar várias dívidas pequenas de um mesmo devedor para atingir o valor de R$ 10 mil e iniciar um novo processo judicial.

A Medida do CNJ e o Impacto Nacional

A decisão de extinguir esses processos faz parte de um esforço nacional para reduzir o estoque de ações judiciais de baixo valor, que são consideradas ineficientes e custosas. Cada processo de execução fiscal tem um custo médio de mais de R$ 9 mil para os cofres públicos. Em todo o Brasil, quase 13 milhões de ações semelhantes já foram encerradas, gerando uma economia significativa e diminuindo a burocracia no Judiciário.

Ao Mesmo Tempo, Justiça Aumenta Pressão Sobre Devedores

Em contrapartida à extinção dos processos de menor valor, a Justiça está intensificando a cobrança de outras dívidas. Em Campo Grande, foi anunciado o bloqueio de dinheiro em contas bancárias de 10 mil devedores de IPTU.

O poder público pode usar uma série de medidas para receber os tributos, incluindo o leilão do imóvel — mesmo que seja o único bem da família. Atualmente, a capital de Mato Grosso do Sul tem 110 mil ações de execução fiscal em andamento, somando uma dívida estimada em R$ 2 bilhões.

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