A indústria de celulose vive uma nova onda de expansão em Mato Grosso do Sul e deve manter o mercado de trabalho aquecido até 2032, segundo avaliações do setor e estudos citados por entidades e consultorias. O ciclo é puxado por megaprojetos de Suzano, Arauco, Bracell e Eldorado, que somam aportes bilionários, ampliam a produção e pressionam áreas como qualificação profissional e infraestrutura de escoamento.
Falta mão de obra qualificada vira principal gargalo
Mesmo com o cenário positivo, a escassez de profissionais qualificados aparece como o desafio mais recorrente para a cadeia de papel e celulose em MS. A leitura do setor é que o crescimento acelerado intensificou a competição por trabalhadores especializados.
Representantes da indústria afirmam que as empresas têm ampliado investimentos em formação, capacitação e valorização para acompanhar a demanda, mas que o ritmo ainda não supre a necessidade, especialmente em funções técnicas e operacionais.
Projeção até 2032: até 93 mil novos empregos na cadeia
Com base em dados e projeções setoriais citadas na reportagem, a expansão da cadeia de papel e celulose pode gerar cerca de 93 mil empregos até 2032 em MS, considerando novos empreendimentos no período — com aproximadamente 24 mil vagas diretas e 69 mil indiretas.
A projeção ajuda a explicar por que o setor tem se tornado protagonista na abertura de vagas formais, principalmente no eixo florestal-industrial.
Megaprojetos consolidam polo global de produção
O ciclo atual é sustentado por plantas já em operação e obras em andamento:
- Suzano (Ribas do Rio Pardo): unidade que entrou em operação em 2024, com capacidade de cerca de 2,55 milhões de toneladas/ano, apontada como linha única de grande escala no segmento de fibra curta.
- Arauco (Inocência – Projeto Sucuriú): previsão de operação no 2º semestre de 2027, com capacidade estimada de 3,5 milhões de toneladas/ano e investimento em torno de R$ 25 bilhões; no pico das obras, estimativa de até 14 mil pessoas empregadas.
- Bracell (Bataguassu): construção prevista a partir de 2026, com investimento estimado em R$ 16 bilhões.
- Eldorado (Três Lagoas – expansão): retomada do plano para uma segunda linha, com investimento projetado entre R$ 25 bilhões e R$ 30 bilhões, incluindo expansão florestal e uma ligação ferroviária para melhorar o escoamento.
Expansão da Eldorado: cronograma mira 2030 e aposta em ferrovia
A Eldorado é tratada como peça do “próximo capítulo” do ciclo. Fontes do setor indicam que a ampliação — inicialmente cogitada para antes — deve ficar mais provável por volta de 2030, em parte para o mercado absorver os investimentos já contratados, sobretudo em mão de obra e logística.
O plano inclui uma ferrovia de 86,7 km entre Três Lagoas e Aparecida do Taboado para escoamento de produção, com apoio financeiro já aprovado para essa etapa. A expansão pode mais do que dobrar a capacidade atual (cerca de 1,8 milhão t/ano) e levar a nova linha a mais de 2,6 milhões t/ano.
Economia: setor deve puxar investimentos e influenciar o PIB
Estudo citado na matéria aponta que a celulose tende a liderar a economia estadual em 2026 e concentrar parcela relevante dos investimentos do Centro-Oeste até 2030, com estimativa de R$ 131 bilhões no período.
No curto prazo, a projeção é de crescimento da produção estadual de celulose em 2026, revertendo queda registrada em 2025, com impacto direto no desempenho do PIB de MS.

Com investimentos concentrados em novas fábricas e expansão florestal, MS consolida a celulose como motor econômico, mas o setor sinaliza que a próxima etapa depende de duas entregas: qualificação de gente e infraestrutura para dar conta do volume de produção e da pressão sobre serviços urbanos nas regiões onde os projetos avançam.












