Os preços da carne bovina nos Estados Unidos continuam em alta e acumulam avanço expressivo desde o início do segundo mandato de Donald Trump. Apesar de o presidente afirmar que os preços estariam “começando a cair”, indicadores oficiais mostram máximas históricas em itens como carne moída e aumento de dois dígitos em outros cortes, impulsionados por oferta apertada e consumo resistente.
Carne moída chega ao maior valor da série
Em janeiro de 2026, o preço médio da carne moída (100% beef) nos EUA alcançou US$ 6,752 por libra, o maior nível já registrado no indicador.
Rebanho em baixa mantém oferta restrita
O principal fator estrutural por trás da escalada é a oferta: os EUA iniciaram 2026 com 86,2 milhões de cabeças de gado no total e 27,6 milhões de vacas de corte, números apontados pelo USDA/NASS como abaixo do ano anterior e em patamar historicamente baixo.
Além disso, eventos climáticos e pressões no campo têm agravado o aperto de oferta, contribuindo para preços firmes no varejo.
Como isso pode ser bom para o Brasil e para o nosso agro
A disparada da carne bovina nos EUA pode ser positiva para o Brasil em três frentes principais:
- Mais espaço no mercado global (e sustentação de preços)
Com a produção americana sob pressão, o Brasil ganhou protagonismo. A Reuters destacou que o Brasil superou os EUA como maior produtor de carne bovina em 2025, ajudando a aliviar o aperto global de oferta. Isso reforça o papel brasileiro no abastecimento internacional. - Chance de aumentar vendas para os EUA (quando houver janela econômica)
Com oferta doméstica curta, os EUA tendem a recorrer mais a importações em 2026. Projeções ligadas ao USDA indicam elevação do volume importado, especialmente de carne para processamento (hambúrguer e blends), o que abre oportunidade para fornecedores competitivos. - Diversificação de destinos em um cenário de incerteza na China
Ao mesmo tempo, o mercado chinês vem discutindo e aplicando mecanismos de salvaguarda/quotas. A Reuters reportou que o Brasil considera medidas de organização de exportações para a China em resposta ao novo regime de tarifas/quotas do país asiático. Ter mais demanda em outros mercados ajuda a reduzir dependência e risco comercial.
Perspectiva: alívio pode demorar
Economistas e agentes do setor costumam destacar que recompor rebanho é um processo lento. Enquanto a oferta não se normaliza, a tendência é de alívio limitado e preços ainda pressionados no varejo americano — cenário que mantém o tema no centro do debate econômico e pode seguir influenciando o comércio global de proteínas.












